Foto: Danielle de Oliveira

ESPÉCIES FOCAIS

As principais espécies que o Pró-Tapir trabalha são os ungulados, mamíferos com casco, que ocorrem na Mata Atlântica. Mas quem são os ungulados? Estamos falando de animais incríveis como as antas, os catetos, as queixadas e os veados, sendo a maioria deles, ameaçados em grande parte de sua área de distribuição.

Estes mamíferos atuam na dispersão e predação de sementes, no recrutamento de novas plântulas, e consequentemente, na manutenção dos seus habitats. A anta, nosso megamamífero, é uma grande dispersora de sementes, especialmente de sementes grandes e, assim, ajuda a manter a floresta viva, plantando novas árvores. E, é por isso, que nós a chamamos de Jardineira das Florestas. Além disso, os ungulados que vivem em bando, os catetos e queixadas, também remexem o solo e pisoteiam as plântulas, contribuindo com a manutenção da vegetação. Por isso, eles são chamados de engenheiros ecossistêmicos.

ANTA

Tapirus terrestris

A anta é encontrada em onze países da América do Sul e isso quer dizer que ela tem a maior distribuição geográfica das quatro espécies de antas. No Brasil, podemos encontrá-la nos biomas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Ela é o maior mamífero terrestre nativo do Brasil. Para você entender melhor, ela é quase do tamanho de um pônei e pode pesar até 250 kg, quando adulta. Isso é demais, não é mesmo? Assim, como acontece com as outras três espécies de antas, a fêmea geralmente é maior do que o macho. Tapirus terrestris é a única espécie de anta que tem uma linda crina na cabeça, assim como os cavalos, mas a dela é bem curtinha.

Suas orelhas são arredondadas e têm as pontas brancas. Seu nariz é bem diferente da maioria dos animais, e é chamado de tromba; não é tão grande quanto a de um elefante, mas a ajuda a pegar os alimentos. Ela tem a cauda bem pequenina e a cor dos seus pelos é castanho-escuro. Porém, quando filhote, nasce marronzinha e tem pelos branquinhos, que formam listras por todo o corpo, mas depois que cresce, essas listras desaparecem. A anta é ameaçada pelo desmatamento, pela caça, por atropelamentos e incêndios. Além disso, seu nome é usado como xingamento por nós e isso provoca muitos problemas para a conservação da espécie. No Brasil, a anta é considerada Vulnerável, na Mata Atlântica ela está Em Perigo e no Espírito Santo, Criticamente em Perigo.

CATET0

Pecari tajacu

Os catetos ou catitus tem uma ampla distribuição geográfica e podem ser encontrados desde a América do Norte até aqui, na América do Sul. A espécie pode ser encontrada em todos os biomas brasileiros, habitando diferentes tipos de vegetação, podendo até sobreviver em áreas antropizadas e fragmentadas. São animais sociais e podem viver em bandos de 5 a 25 indivíduos. 

Eles pertencem à família Tayassuidae e apesar das pessoas o conhecerem como porco-do-mato, ele pouco tem em comum com os porcos domésticos, que são da família Suidae. Possuem a coloração acinzentada e o padrão de colar na cor branca, o que caracteriza a espécie.     A caça é uma das principais ameaças aos catetos, especialmente, porque quando o caçador os encontra, ele pode caçar não apenas um, mas vários indivíduos. Além disso, a perda e fragmentação do habitat também tornam a espécie suscetível à extinção. E, ainda, a introdução de espécies exóticas, como o javali (Sus scrofa) também pode provocar um impacto negativo aos catetos. No Brasil, o cateto é considerado Menos Preocupante e na Mata Atlântica como Quase Ameaçado. Já no Espírito Santo, a espécie é considerada Em Perigo.

QUEIXADA

Tayassu pecari

A queixada também apresenta uma ampla distribuição, ocorrendo na região Neotropical, do sul do México até o norte da Argentina. No Brasil, em diferentes biomas, incluindo a Mata Atlântica. Assim como os catetos, são comumente chamados de porcos-do-mato, mas eles também pouco têm em comum com os porcos domésticos, que são da família Suidae. Esses animais pertencem à família Tayassuidae, possuem a coloração preto-amarronzada e sua característica principal é a pelagem branca em torno do queixo. Eles são maiores do que os catetos, pesando em torno de 32 kg, e vivem em grupos que podem variar de 20 até 200 indivíduos. Possuem o sistema de acasalamento promíscuo, ou seja,

todos os indivíduos do bando têm a mesma posição reprodutiva, podendo ter vários parceiros e sem hierarquia social definida. Características morfológicas, como a ausência de dimorfismo sexual, isto é, machos e fêmeas com a mesma aparência e tamanho, e comportamentais também embasam essa teoria. Apesar das queixadas serem amplamente distribuídas pelo território nacional, ela é sensível à ação humana, sendo encontrada apenas em florestas tropicais úmidas e densas, e associada a fontes de água. Devido a todas essas características, a espécie é ameaçada, principalmente, pela perda e fragmentação do habitat e, sobretudo, pela caça. E, ainda, a introdução de espécies exóticas, como o javali (Sus scrofa) também pode provocar um impacto negativo as queixadas. No Brasil, a queixada é considerada Vulnerável e na Mata Atlântica como Criticamente em Perigo. Já no Espírito Santo, a espécie é considerada Em Perigo.

VEADOS

Mazama sp.

Atualmente, cinco das oito espécies de veados confirmadas para o território brasileiro, têm ocorrência para a Mata Atlântica. Pertencentes ao conjunto morfológico das espécies pequenas (<25 kg), esses cervídeos são adaptados a florestas e outros habitats de vegetação fechada. São menores que 60 cm e os machos possuem chifres não ramificados. São representantes do gênero Mazama, as espécies possuem hábitos solitários e por terem uma alimentação herbívora seletiva, algumas espécies são ótimas indicadoras de qualidade do ambiente. 

No geral, as principais ameaças enfrentadas por essas espécies são perda e fragmentação do habitat, a caça e a perseguição por cachorros domésticos. No Espírito Santo, ocorrem três espécies, o veado-mateiro (Mazama americana), veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) e o veado-roxo (Mazama nemorivaga), o qual foi foi registrado recentemente, na Mata Atlântica. Vale ressaltar que os veados possuem um padrão evolutivo complexo, dificultando a sua identificação baseada apenas em características morfológicas, como os avistamentos ou registros fotográficos. Devido a essas dificuldades taxonômicas, muitas vezes a classificação dos níveis de ameaça para essas espécies é problemática.