Nossa primeira anta

Atualizado: 19 de Mai de 2020

Por Danielle Moreira


Antes de trabalhar para o Pró-Tapir, eu nunca tinha passado pela experiência de ver uma anta de perto. Nem em zoológicos e muito menos na natureza. Mesmo tendo morado na roça durante toda minha infância, as antas já não eram mais comuns no meu município (Aracruz, ES). E hoje, elas estão extintas por lá. Talvez elas já estavam extintas durante minha infância…Então, imaginem minha ansiedade em ver uma anta na natureza! E foi com esse espírito que parti para os meus primeiros campos em busca das antas, ou pelo menos dos vestígios deixados por elas.

Membros: Igor, Luana, Andressa, Kiki, eu e Jardel.
Primeira equipe em campo do Pró-Tapir

Nas nossas duas primeiras campanhas, sempre íamos para a Rebio Córrego do Veado primeiro e depois para a RPPN. Mas na nossa terceira campanha, mudamos a ordem, e partimos primeiro para a RPPN Recanto das Antas, no município de Linhares, ES, e… ainda ansiosos por encontrar nossa primeira anta! Para fazer o campo na RPPN, nossa base ficava na Rebio de Sooretama, uns 30 km da RPPN, onde dormíamos e planejávamos nosso campo do dia. Fomos sempre bem acolhidos pelo pessoal da Rebio de Sooretama durante todo o período que permanecemos por lá.

Igor tentando não ficar atolado enquanto procurava por vestígios de antas.
Aventuras em campo

Mas tivemos nossas recompensas! No nosso primeiro campo, em um única estrada conseguimos avistar vários animais, como um grupo de quatis, macacos-prego, dois veados (mãe e filhote) e dois jabutis. Ainda encontramos um gambá atropelado. Andressa foi a sortuda a ver a primeira anta da equipe, mas o grupo como um todo, ainda não havia passado por essa experiência. No segundo campo, já tínhamos uma ideia onde encontrar os vestígios de antas. Coletávamos tudo o que víamos. Também observávamos pegadas delas pelas as estradas da RPPN. Essas pegadas saíam da mata para o eucaliptal ou vice-versa. Uma interessante observação que permitiu que publicássemos um artigo na revista Tapir Conservation!


Até que no dia 02 de abril de 2011 toda a equipe pôde finalmente visualizar uma anta! Era o último dia de campo na RPPN e já estávamos sem esperanças. O segurança da RPPN, Jamilton, havia nos prometido uma anta naquele dia. Ele não se conformava que a equipe não havia observado esse animal na RPPN ainda. Então, antes de irmos embora, decidimos fazer uma pequena ronda em uma área que íamos pouco e que chamávamos de “Alta Tensão” (hoje, é uma das nossas principais áreas para fazer rondas). De repente, Jamilton grita “OLHA LÁ UMA ANTA”. Achávamos que era brincadeira, mas não! Ela estava mesmo lá!


Foto da nossa primeira visualização de anta

Todos ficaram desesperados para sair do carro e olhar para o eucalipto onde ela estava parada, a alguns pés de eucalipto na frente. Fui uma das últimas a sair do carro, tentando tirar a câmera guardada na bolsa. Enquanto isso, a Luana saiu desesperada para bater a foto, mas esqueceu de levar a câmera. Apesar de nossa euforia, conseguimos bater uma foto boa e fazer dois vídeos. Eita, que povo bom de câmera! Apesar dos barulhinhos que fizemos e dela ter percebido nossa presença, ela ainda ficou um tempinho parada, avaliando a situação. Logo depois que começamos a filmar, um barulho de galho caindo a assustou e fez que ela corresse para dentro do eucalipto.


Mas não importava mais! Todos estavam felizes com a experiência. Começamos a pular e fazer dancinhas malucas para comemorar. E se você estivesse lá, garanto, não importa o quão sério você é…você faria a mesma dancinha conosco!


Danielle Moreira

#anta #AtlanticForest #MataAtlântica #tapir

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